A XP deixou de ser apenas uma plataforma de investimentos para se tornar um ecossistema financeiro completo, incorporando serviços como Conta Digital, Cartões, Câmbio, Seguros e Cripto.
Essa evolução exigia que a Home deixasse de funcionar apenas como um painel de investimentos para se tornar a principal porta de entrada da experiência, capaz de conectar diferentes produtos de forma simples, contextual e escalável.
Esta foi a primeira versão da Home da XP, desenvolvida antes da evolução do Design System. Em uma fase em que a empresa era focada principalmente em investimentos, sua arquitetura atendia às necessidades daquele momento. Com a expansão do ecossistema financeiro e a chegada de novos produtos, tornou-se necessário repensar a Home para suportar uma estratégia de crescimento mais ampla e escalável.
Esta foi a primeira versão da Home construída sobre o novo Design System da XP. Mais do que uma atualização visual, ela marcou a evolução da plataforma de investimentos para um ecossistema financeiro mais amplo.
Até então, a experiência era fortemente orientada a investimentos. Com a expansão do negócio, a XP passou a oferecer novos produtos, como Conta Digital e Cartão, criando a necessidade de reorganizar a Home para acomodar essas novas jornadas de forma simples e escalável.
Essa mudança representou um desafio de arquitetura da informação: destacar novos produtos estratégicos para o negócio sem comprometer a experiência dos investidores já habituados ao aplicativo.
Esta foi a primeira Home construída utilizando o novo Design System da XP, servindo como base para a evolução contínua da plataforma e para a integração de novos produtos financeiros.
Com o crescimento do portfólio de produtos, a experiência da Home passou a apresentar três desafios principais:
informações distribuídas em diferentes áreas do aplicativo;
baixa descoberta de novos produtos financeiros;
pouca personalização para diferentes perfis de clientes.
Como consequência, funcionalidades importantes permaneciam invisíveis, aumentavam o número de cliques para tarefas simples e a Home deixava de acompanhar a evolução da própria XP como ecossistema financeiro.
O projeto precisava evoluir uma das áreas mais acessadas do aplicativo sem comprometer a experiência dos milhões de clientes já habituados ao fluxo existente.
Os principais desafios incluíam:
acomodar novos produtos sem aumentar a complexidade visual;
equilibrar necessidades de clientes iniciantes e investidores experientes;
respeitar restrições regulatórias e regras de negócio;
garantir consistência entre diferentes plataformas;
permitir evolução contínua da Home conforme novos produtos fossem lançados.
Essas restrições exigiram decisões orientadas por dados e alinhamento constante entre Produto, Engenharia e Design.
Atuei como Design Lead liderando iniciativas de UX e arquitetura da experiência da Home Global.
Minha atuação envolveu conectar Design, Produto, Engenharia e áreas de negócio para transformar regras complexas em uma experiência simples, escalável e orientada às necessidades dos clientes.
Entre minhas principais responsabilidades estavam:
condução de Discovery;
definição da arquitetura da informação;
priorização da experiência da Home;
facilitação entre stakeholders;
apoio à estratégia do produto;
Design QA e consistência visual;
mentoria aos designers durante Discovery e Delivery.
Mais do que redesenhar uma interface, meu papel era definir como a Home poderia evoluir junto com o crescimento do ecossistema da XP.
Antes de propor qualquer solução, buscamos compreender como diferentes perfis de clientes utilizavam a Home da XP e quais barreiras encontravam durante suas principais jornadas.
Combinamos pesquisa quantitativa, entrevistas em profundidade, benchmarking, mapeamento de stakeholders e análises de comportamento para identificar oportunidades de evolução da experiência.
2.600 respostas.
4/5 de satisfação atual.
48% conhecem personalização.
92% uso de investimentos.
9% uso de conta digital.
A pesquisa revelou comportamentos importantes que direcionaram as decisões do projeto.
Usuários iniciantes sentiam insegurança para navegar entre diferentes produtos financeiros.
Clientes experientes buscavam mais velocidade e acesso direto às funcionalidades.
Novos produtos tinham baixa descoberta dentro do aplicativo.
A maioria dos usuários reconhecia valor na personalização, mas poucos utilizavam esse recurso.
Esses aprendizados reforçaram a necessidade de uma Home mais flexível, contextual e personalizada.
Os aprendizados da pesquisa influenciaram diretamente a evolução da Home.
Em vez de criar uma interface fixa, optamos por uma estrutura baseada em widgets, permitindo que novos produtos fossem incorporados sem comprometer a experiência existente.
Priorizamos uma Home capaz de adaptar conteúdo conforme o perfil e o momento de cada cliente.
Criamos mecanismos para reduzir o esforço necessário para encontrar novos serviços e aumentar oportunidades de cross-sell sem gerar poluição visual.
Ao longo do projeto, foi necessário equilibrar diferentes fatores.
simplicidade versus quantidade de informações;
personalização versus previsibilidade da interface;
velocidade de entrega versus evolução contínua;
necessidades do negócio versus carga cognitiva para os usuários.
Essas decisões foram tomadas em conjunto com Produto, Engenharia e stakeholders estratégicos, sempre apoiadas pelos resultados das pesquisas.
A solução foi estruturada em etapas para reduzir riscos e validar hipóteses progressivamente.
O MVP priorizou a criação de uma arquitetura capaz de acomodar novos produtos e iniciar a coleta de dados sobre comportamento dos usuários.
Na evolução para a V1, expandimos as possibilidades de personalização, widgets contextuais e atalhos rápidos, transformando a Home em uma experiência mais adaptável às necessidades de cada cliente.
A evolução da Home trouxe ganhos para clientes e para o negócio.
Entre os principais resultados:
+18% de interação com a vitrine de produtos;
+25% na ativação da Conta Digital após descoberta pela Home;
57% de crescimento orgânico em produtos como Seguros e Crédito;
+15% de CTR médio na vitrine de produtos;
R$ 12 milhões de receita incremental atribuída à descoberta direta pela Home;
+22% de aumento no Lifetime Value de clientes que passaram a utilizar dois ou mais produtos da XP.
Além dos indicadores quantitativos, a nova arquitetura tornou a Home mais escalável, facilitando a evolução contínua do ecossistema financeiro da XP.
Este projeto mostrou que a Home de um aplicativo financeiro vai muito além de uma tela inicial. Ela é um ponto estratégico para conectar produtos, orientar decisões e criar novas oportunidades de relacionamento com os clientes.
A principal lição foi perceber que uma arquitetura bem planejada permite que o produto evolua continuamente sem perder consistência, mesmo diante do crescimento do ecossistema e da complexidade das regras de negócio.
Essa experiência reforçou minha visão de que Product Design não se resume à interface: trata-se de criar estruturas capazes de evoluir junto com o produto e gerar valor para usuários e para o negócio.